A convivência em condomínio naturalmente envolve opiniões diferentes, cobranças e, em alguns momentos, conflitos. Mas quando uma discussão ultrapassa os limites do respeito, as consequências podem deixar de ser apenas administrativas e chegar à esfera criminal.
Um caso julgado pela Vara Criminal da comarca de Camboriú, em Santa Catarina, chamou atenção justamente por isso. Um homem foi condenado por injúria racial contra a síndica de um condomínio localizado na região central da cidade.
O episódio ocorreu em 11 de maio de 2022, durante uma discussão envolvendo o morador e a síndica. Segundo os autos, o homem utilizou ofensas de conteúdo racial contra a gestora.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina. Durante o processo, foram ouvidos a vítima, testemunhas e o acusado. A defesa sustentou que já existiam desavenças entre as partes relacionadas à administração do condomínio.
A Justiça, porém, afastou esse argumento. O entendimento foi de que eventuais conflitos condominiais anteriores não transformavam as expressões utilizadas em uma simples discussão entre moradores: havia conteúdo preconceituoso e ofensivo relacionado à raça da vítima.
Outro agravante destacado no julgamento foi que a filha da síndica presenciou as ofensas, circunstância considerada pelo magistrado ao avaliar a situação de humilhação sofrida pela vítima.
O homem recebeu pena de um ano e dois meses de prisão, em regime aberto, além do pagamento de multa.
A sentença foi proferida em 31 de julho e, conforme divulgado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a decisão ainda é passível de recurso.
O episódio traz um alerta importante para condomínios.
Divergências sobre prestação de contas, aplicação de multas, cumprimento da convenção, obras, barulho, utilização das áreas comuns ou decisões do síndico fazem parte da rotina de muitos empreendimentos. Isso, entretanto, não autoriza moradores, funcionários ou gestores a recorrerem a ameaças, discriminação ou ataques pessoais.
Quando o conflito deixa o campo administrativo, as consequências também podem deixar de ser apenas condominiais.
Por isso, situações mais graves devem ser devidamente registradas e conduzidas pelos meios adequados, evitando confrontos e preservando evidências quando necessário.
Administrar um condomínio não significa apenas cuidar de contratos, manutenção, segurança e orçamento. Também envolve administrar relações entre pessoas que compartilham diariamente os mesmos espaços.
Síndicos, moradores, funcionários próprios e profissionais terceirizados precisam encontrar um ambiente no qual divergências possam existir sem que o respeito seja abandonado.
O caso de Camboriú deixa uma mensagem importante: uma discussão de condomínio pode terminar quando as partes se entendem; uma ofensa criminosa pode terminar na Justiça.
Para o Grupo Naturally, prevenção também significa contribuir para ambientes mais organizados, seguros, profissionais e respeitosos para todos.
Fonte: Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).