A expansão dos veículos elétricos no Brasil tem levado muitos condomínios a discutir a instalação de pontos de recarga em garagens. Em São Paulo, a publicação da Lei nº 18.403/2026 trouxe novos questionamentos para síndicos, administradoras e moradores, especialmente após a divulgação de pareceres jurídicos que apontam possíveis inconstitucionalidades em alguns de seus dispositivos.
Embora o objetivo da norma seja incentivar a mobilidade elétrica, especialistas alertam que sua aplicação exige cautela e análise técnica, já que a instalação de carregadores envolve aspectos de segurança, infraestrutura elétrica, responsabilidade civil e regras internas dos condomínios.
O número de veículos elétricos e híbridos aumenta a cada ano, e muitos moradores desejam carregar seus automóveis diretamente nas vagas de garagem.
No entanto, essa decisão vai muito além da instalação de um equipamento.
É necessário avaliar se a infraestrutura elétrica do condomínio suporta a nova demanda, quais adaptações serão necessárias, como será feita a medição do consumo de energia e quais medidas de segurança deverão ser adotadas.
Recentemente, pareceres jurídicos elaborados sobre a Lei nº 18.403/2026 levantaram dúvidas quanto à constitucionalidade de determinados trechos da norma.
Entre os principais pontos discutidos estão os limites da competência legislativa para impor obrigações aos condomínios e a possível interferência na autonomia condominial, garantida pela legislação civil.
Enquanto o tema ainda pode ser objeto de debates e questionamentos judiciais, a recomendação é que síndicos e administradoras adotem decisões fundamentadas, sempre com apoio técnico e jurídico.
Independentemente da legislação, qualquer projeto de instalação de carregadores deve priorizar a segurança dos moradores e do patrimônio.
É fundamental realizar estudos elétricos, verificar a capacidade da rede, utilizar equipamentos certificados e seguir as normas técnicas aplicáveis.
Também é recomendável definir procedimentos para manutenção, inspeções periódicas e utilização adequada dos equipamentos.
Cada condomínio possui características próprias.
Por isso, a criação de normas internas claras sobre instalação, uso, responsabilidades, manutenção e rateio dos custos ajuda a evitar conflitos entre moradores e garante maior segurança para a administração.
As decisões devem ser registradas de forma transparente e, quando necessário, deliberadas em assembleia, respeitando a convenção condominial e a legislação vigente.
A tendência é que a demanda por infraestrutura para veículos elétricos continue crescendo nos próximos anos.
Condomínios que se antecipam, realizam estudos técnicos e estruturam políticas claras estarão mais preparados para atender às novas necessidades sem comprometer a segurança da operação.
Mais do que acompanhar a evolução da tecnologia, o desafio é garantir que essa evolução aconteça de forma responsável.
Mudanças na legislação e novas demandas exigem uma administração cada vez mais preparada.
Além da infraestrutura, condomínios precisam investir em organização, supervisão operacional, segurança e processos bem definidos para lidar com novos desafios de forma eficiente.
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A inovação é importante. Mas ela deve caminhar ao lado do planejamento, da segurança e da boa gestão.